Alimentação na gestação: o que uma grávida precisa?

Alimentação na gestação: o que uma grávida precisa?

14 Setembro 2015 - 12:29
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Saiba quais são os nutrientes necessários para manter a mãe e o bebê saudáveis

Uma boa refeição deve conter todos os grupos de alimentos [Crédito: Dreamstime]

Vamos começar desmistificando a história mais comum referente à gestação: não, grávida não precisa comer por dois! O que ela precisa é suprir a necessidade de um organismo que agora está trabalhando para nutrir um novo ser. Esse trabalho dobrado do corpo faz com que a fome aumente, mas o que você precisa não é de pastel, brigadeiro e bolo, mas sim, vitaminas que garantem ao bebê uma formação saudável.

“Uma grávida precisa entender suas novas necessidades orgânicas e manter uma dieta equilibrada que contenha todos os nutrientes necessários para o seu organismo e para o crescimento e desenvolvimento do feto, devendo incluir em cada refeição, pelo menos um alimento de cada grupo: carboidratos, proteínas e lipídios”, explica Thaís Souza, nutricionista da rede Mundo Verde.

Além das refeições balanceadas, há outros nutrientes que são muito importantes para a dieta de uma gestante. O ômega 3, por exemplo, presente em peixes (salmão, sardinha e atum) ou em suplementação, pode reduzir a incidência de parto prematuro e adequar o peso do bebê antes de nascer. O ácido fólico é outro nutriente importantíssimo. Ele ajuda na formação do tubo neural do bebê, prevenindo doenças como a espinha bífida (quando a medula espinhal não se fecha por completo) e anencefalia (subdesenvolvimento do encéfalo). 

Como cada gestante tem um histórico e uma necessidade em particular, por isso o acompanhamento nutricional é bem importante. Só um médico pode avaliar se é preciso suplementação e orientar a grávida sobre mudanças na alimentação. “É necessário ainda que sejam evitados longos períodos de jejum, para uma melhor digestão e aproveitamento dos alimentos. Por isso, eles devem ser ingeridos a cada 3 horas, melhorando a sensação de fome, azia e enjoos. Deve-se comer devagar e mastigar bem os alimentos”, aconselha a especialista.

Outro problema que pode ser amenizado com uma alimentação adequada é a constipação intestinal. Segundo Thaís, mulheres que têm o intestino preso tendem a sofrer mais ainda com o problema durante a gravidez, justamente por causa do aumento e pressão do útero. Nesses casos, a hidratação é muito importante e deve ser reforçada. “O consumo total de líquidos deve ser por volta de 1,5 a 2 litros por dia, adquiridos através da ingestão de água e sucos (de preferência orgânicos), principalmente nos intervalos entre as refeições”, explica.

Alimentação vegetariana é um problema para as grávidas?

A energia que o feto precisa para se desenvolver de maneira correta vem da alimentação materna. Mães que são vegetarianas não precisam se preocupar em mudar o cardápio achando que alguma vitamina, ferro ou proteína podem fazer falta para o bebê. Basta que os alimentos sejam coordenados de maneira equilibrada, a fim de proporcionar todos os nutrientes que a mulher precisa na quantidade certa.

Thais explica que uma grávida vegetariana deve reforçar a quantidade de proteína em sua dieta durante a gravidez. Para isso, as leguminosas são essenciais, como feijões, lentilha, soja e grão de bico. Outra fonte de proteína indicada são as oleaginosas, como castanhas e sementes. 

A carne animal fornece ferro e vitamina B12. “No caso de gestantes vegetarianas é necessário um acompanhamento com médico e nutricionista para avaliar a necessidade do uso de suplementos e elaborar um cardápio que fornece todos os nutrientes necessários nesse momento”, finaliza.

Entenda a importância de cada alimento na alimentação da gestante:

Carboidratos: fonte de energia para a gestante, o embrião e o feto. Quando o consumo de carboidratos é baixo ao longo da gravidez, o recém-nascido corre o risco de vir ao mundo com baixo peso. Eles são encontrados nas frutas, verduras, legumes e cereais integrais - como arroz, macarrão, pães e biscoitos integrais e barras de cereais. 

Proteínas: são essenciais para o desenvolvimento dos novos tecidos, tanto da mãe como do bebê, desempenhando um papel importante na formação do útero, mamas, placenta e líquido amniótico. Boas fontes proteicas são: carnes magras, como frango e peixe; leguminosas como feijões, soja, lentilha, grão de bico, ervilha; frutas oleaginosas como nozes e castanhas; laticínios e ovos; quinua e amaranto. 

Lipídios: fornecem energia à gestante e ao feto. Contribuem para o crescimento do bebê e para formar os estoques energéticos que a mulher vai utilizar no período de aleitamento. É importante que o consumo de gordura seja através de gorduras "boas", que são as gorduras insaturadas, tais como: óleos de coco, milho, girassol, gergelim, soja, canola, macadâmia, azeite de oliva extravirgem, peixes como salmão, atum e sardinha e a linhaça.