Conheça as histórias de pais separados, mas sempre presentes

Conheça as histórias de pais separados, mas sempre presentes

14 Outubro 2015 - 14:48
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Para compensar a distância, pais separados se viram nos 30 e fazem questão de estarem presente na vida dos filhos

Douglas Fontes e sua 'flor': jogo de cintura para entrar no universo feminino e companherismo [Crédito: Arquivo Pessoal]

Atenção! Queremos esclarecer uma coisa: ser um pai separado não significa ser um pai ausente, muito menos omisso. Muitos desses homens sofrem mais com a separação do que as mães, pois não morando no mesmo teto, as saudades e a falta da criança são avassaladoras. Essa falta de convivência no dia a dia faz com que esses homens se virem nos 30 para continuarem participando ao máximo da vida da criança, fortalecendo assim, o laço entre eles.

“Existem pais que estão afastados fisicamente, mas muito presentes emocionalmente. Não podem estar juntos todo o tempo, mas têm enorme relevância na educação, aconselhamento e influência sobre os filhos. Às vezes, muitos pais que estão sempre disponíveis pelo celular, por exemplo, são mais próximos dos filhos do que pais que moram junto, mas não dedicam tempo suficiente a eles”, aponta o psicólogo Luciano Passianotto.

Conversamos com alguns pais para entender, do lado deles, como é ser um paizão mesmo com uma formação de família diferente e o que mudou na relação com os filhos depois da separação. Acredite, nos surpreendemos com algumas respostas e você também irá. 

Filha de pais separados mora com...O pai!
No caso de Douglas Fontes, 33, programador, por exemplo, a filha Louise, 8, mora com ele ao invés da mãe, desde o início do ano.  A presença da garota em casa fez o programador até tomar outros rumos na profissão. “Optei por ser um profissional independente. Atualmente só trabalho de casa e isso me permite passar boa parte do tempo com ela. Tento fazer meus jobs no período que ela está na escola, assim, quando ela chega posso fazer alguma tarefa com ela, ler, brincar e à noite assistimos um filme ou série juntos”, revela.

Douglas, que se separou da ex-mulher quando a filha tinha cerca de 4 anos, acredita que o trabalho de pai e mão em relação à filha tem que ser igual. No entanto, o fato de morar com a filha coloca a mãe numa situação mais confortável. “Quando a mãe pega é para matar a saudade, passear e dar presentes. A parte de por de castigo, de dar broncas, controlar horários, acompanhar as atividades da escola e educar tem sido minha atualmente”, conta. Viu como os papéis podem se inverter?

A convivência debaixo do mesmo teto também ensinou ao pai alguns truques para se aproximar da pequena. “Esse ano passei um período levando e buscando minha flor na escola e tentava aproveitar o trajeto para bater um papo. Nossa, como isso é difícil! Levei um tempo até descobrir como arrancar resposta maiores do que ‘tudo bem’, ‘foi legal’, ‘gostei’, ‘hoje não’, etc. Resolvi então entrar no contexto dela. Lembro que nessa época ela estava vidrada nos personagens do filme Frozen, então, eu tentava fazer perguntas usando os personagens, por exemplo: ‘quem é o engraçadinho da sala?’ eu perguntava ‘quem é o Olaf da turma?’ ou para saber quem é a melhor amiga dela: ‘Quem é sua Anna na sala?’”, conta.

Para Douglas, a parte mais difícil dessa relação é o simples fato relacionado à guerra dos sexo. “Às vezes sinto que ela precisa de uma opinião feminina para algumas coisas. Já tive que aprender de tudo para tentar amenizar algumas dúvidas sobre penteados, maquiagem, bijuteria, roupas, etc. Imagino que isso se agrave um pouco com a puberdade”, finaliza.

Pai é pai nos bastidores também
Muitos acham que o papel de pai é apenas estar presente e isso já é suficiente. No entanto, os bastidores também são fundamentais para a paternidade dar certo. “Quando era casado eu que levava meus filhos ao médico, levantava à noite pra esquentar a mamadeira e trocar as fraldas. Me separei e essa preocupação não mudou. Eles cresceram e os tipos de cuidados mudaram, mas meu amor e carinho não. Nunca faltei em uma festa da escola, em um jogo de campeonato, em feiras culturais, de ciências ou similar, sempre fiz questão de estar ao lado deles”, conta Paulo Figueiredo, 38, gerente de projetos, pai de  Bruno, 17, e André, 12.

Para ele, não existe essa história de que a mãe tem mais responsabilidades que o pai. “Eu nunca vou concordar com isso. Quando me separei, no acordo eu exigi ver meus filhos toda semana e alternar os fim de semana, pois eu queria estar com eles. Hoje, mesmo com eles morando no interior, converso constantemente com a mãe para saber o que está acontecendo e ela me pede ajuda sempre que acha necessário, continuo participando das decisões e da educação dos filhos”, conta.

Como hoje eles moram em cidades separadas, o pai só vê os filhos aos finais de semana e datas comemorativas. A escolha da programação fica sempre por conta dos filhos e Paulo confessa que não delega os cuidados quando está com os garotos. “Eu faço questão de levar os dois em todos os lugares. Nos ‘meus dias’ eles ficam comigo, não deixo eles com ninguém. Essa é a maneira de aproveitar melhor nossos momentos”, revela.

Sinceridade é lema entre pai e filha
Para Mauro Figueiredo, 35, engenheiro, pai de Alice, 4, não poder acompanhar o dia a dia da filha é a pior parte da situação (aliás, esse foi o maior problema para todos os pais). “As saudades são constantes. Eu sinto muita falta de chegar em casa e poder beijá-la, abraçá-la, conversar... Enfim, acompanhar o crescimento dela mais de perto. Me separei há cerca de dois anos e realmente demorei um pouco pra assimilar isso, tanto é que ainda sofro”, confessa.

Nos dias que não pode ver Alice, ele conta com a tecnologia. “Uma grande amiga me disse uma vez que eu não podia me acomodar estando longe e tinha que me mostrar presente. É isso que faço. Tento ligar, falar com ela antes de dormir, fazer uma chamada de vídeo sempre que possível. Enfim, eu tento falar com ela quase todos dias, assim eu fico um pouco mais calmo e mato as saudades”, confessa o engenheiro.

O pai babão acredita que a sinceridade é fundamental para a pequena lidar com a situação de não ter os pais sob o mesmo teto. “Ela há um tempo atrás ficava perguntando sobre casamento, estava descobrindo o que era a família papai-mamãe e tal. Uma vez ela achou que não tinha família por não se enquadrar nesse padrão. Nesse caso, conversamos bastante, explicando que a amamos muito,  porém moramos em casas separadas, sempre com muita clareza, sem esconder os fatos”, revela. Mauro acredita que hoje a filha já entenda  que os pais são separados, mas nem por isso ela não tem família.

E mesmo não vendo a filha todos os dias, estar presente nas decisões também é importante para ele. “Eu busco ela na escola toda terça e nas sextas dos finais de semana que ela fica comigo, levo no médico sempre que precisa, quero sempre discutir com a mãe sobre a vida dela e, assim que possível, quero compartilhar mais essa vivência e tê-la mais dias perto de mim, infelizmente agora ainda não consigo fazer isso mas em breve, se Deus quiser", desabafa.