Parto normal, cesárea e humanizado: qual é a diferença entre eles?

Parto normal, cesárea e humanizado: qual é a diferença entre eles?

17 Setembro 2015 - 14:13
Publicado em:

Saiba como são os procedimentos e benefícios dos tipos de parto mais comuns realizados no Brasil

O parto na água é uma escolha comum entre mães que buscam um parto humanizado [Crédito: Reprodução]

A escolha do parto é algo que ronda a cabeça da gestante desde que ela descobre a gravidez, às vezes até antes. Algumas mulheres já têm a ideia formada de como querem que seu filho venha ao mundo, mas muitas seguem com dúvidas até a metade da gestação. “A escolha do parto deve ser feita de acordo com avaliação médica e o entendimento da paciente. Por isto, é de extrema importância realizar o pré-natal que fornecerá as informações sobre a saúde da mãe e do bebê”, explica Renato de Oliveira, ginecologista responsável pela área de reprodução humana da Criogênesis.

E acredite, a escolha nem sempre depende da mulher. Às vezes o tipo de parto é escolhido pelas condições de saúde tanto da mãe como do bebê. Embora mais da metade de partos realizadas nas redes privadas seja por cesárea, uma pesquisa feita pela Fiocruz revelou que 70% das mulheres almejam um parto normal no início da gestação. Depois, essa ideia muda por questões de saúde, influencia do médico e até comodidade da mãe. Para ajudá-la nessa escolha, listamos os procedimentos que acontecem em cada tipo de parto.

Parto normal

Trata-se do parto vaginal, usado por séculos, antes da ‘invenção da cesárea’. Esse parto não consiste apenas no nascimento do bebê, mas em todo o processo que ele leva, como o trabalho de parto, as contrações, a ruptura da bolsa até a episiotomia (corte realizado no períneo).

As contrações são as responsáveis pelas dores e o intervalo entre elas diminui conforme a dilatação aumenta e chega a hora do parto. Aliás, uma boa dilatação está entre 10 e 12 cm de diâmetro. Hoje em dia, você pode fazer um parto normal com anestesia e há duas opções: a peridural e a raque. A recuperação do parto normal é bastante rápida e quase sem dor, o que ajuda a mãe nos primeiros cuidados com o bebê. Em algumas maternidades, a mãe é até liberada para amamentar assim que o bebê nasce.

Parto humanizado

O parto humanizado, tão falado nos dias de hoje, é aquele que respeita o tempo de nascimento do bebê, sem nenhuma intervenção médica e às vezes é até feito em casa. A ideia é que a mãe tenha contato com o bebê para confortá-lo imediatamente após o nascimento, o que não acontece nos outros partos. Nas maternidades, após o nascimento por outros métodos, o bebê passa por exames, pesagem, banho e demora horas para, enfim, se aconchegar no colo da mãe e dar a primeira mamada. Por isso, muitos especialistas acreditam que o parto pode ser traumático para o bebê: em um momento, ele está no escurinho da mãe, quentinho e pouco depois é apresentado a um mundo com claridade, onde tem liberdade de movimentos (o que pra ele é totalmente novo) e sem a mãe. Muitas vezes ele é acompanhado por doulas e não por obstetras.

Parto cesárea

É a forma cirúrgica do nascimento do bebê, no qual a extração fetal é feita por via abdominal. Geralmente, utiliza-se a anestesia raque ou a peridural, mas em casos excepcionais, é necessária anestesia geral. Antigamente, quando o parto era feito por parteiras e o pré-natal não contava com ultrassons, era comum a morte da mãe e do bebê na hora do parto, justamente por falta de recursos e conhecimento. Reza a lenda que o primeiro bebê a nascer por cesárea foi o imperado romano Júlio Cesar. Na época, foi decidido no Império que quando houvesse complicações no nascimento, a vida do bebê deveria prevalecer, mesmo que a mãe morresse, ou seja; um corte na barriga salvaria os bebês e condenaria as mães. E foi assim com Aurélia, mãe do imperador. Mas para surpresa de todos, Aurélia sobreviveu e pode ter filhos posteriormente. Paralelo a isso, a cesárea passou a ser feita nas casas, como um procedimento semelhante à castração de animais fêmea. Só no século XVII ela foi reconhecida pelos médicos e tornou-se uma prática obstétrica utilizada em hospitais.

Esse é o tipo de parto mais prático, pois acontece com hora marcada e sem imprevistos. No entanto, alguns especialistas condenam a prática e acreditam que deve ser usado apenas em casos extremos, pois é altamente agressivo ao bebê. Depois do procedimento, a mãe só é liberada para ver o filho quando acaba o efeito da anestesia e isso pode levar horas.