Pais de hoje em dia querem ser amigos dos filhos

Pais de hoje em dia querem ser amigos dos filhos

02 Outubro 2015 - 13:32
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Nova pesquisa mostra que mais da metade dos pais da geração Y considera a amizade algo importante na relação

Paulo com os filhos André e Bruno: amizade sem perder limites [Crédito: Arquivo Pessoal]

Você, que é pai de uma criança pequena ou será pai em breve, como vê a relação que tem com seu filho? Parece que os homens que se tornam pais nessa década querem, na verdade, ser melhores amigos dos filhos. Esse conceito é muito mais forte do que apenas acompanhar o desenvolvimento de perto.

Essa foi a conclusão tirada por um estudo realizado pela The Family Room LLC com famílias americanas em relação aos pais da geração Y (nascidos nos anos 80). No estudo, 54% dos entrevistados acreditam que levam uma relação de parceria e cumplicidade com os filhos, considerando-os como melhores amigos. Já na geração anterior (aquela, dos nossos pais), apenas 38% vê a amizade com os filhos como algo extremamente importante.

Esse novo modelo de criação faz todo sentido para essa geração, também chamada de millenial. Nós, que visamos um crescimento rápido na carreira, não passamos longos anos no mesmo emprego e temos a internet como meio de relacionamento, fomos criados com mais liberdade, diálogo e menos regras. Nossos pais têm uma veia revolucionária, participaram de movimentos políticos e culturais, como os hippies e os rockers.

Mas afinal, esse tipo de relação é ruim para pais e filhos? Não, contanto que as tarefas comuns de pai e mãe não sejam deixadas de lado. Pais ainda são os maiores educadores, não os professores, muito menos as babás e os avós. A hierarquia nunca deve ser esquecida. “Deve haver uma distinção clara entre amizade e liberdade. Os pais devem mostrar seu afeto e serem abertos e sinceros ao conversar com seus filhos, mas também têm a responsabilidade de estimular limites, ensinar regras, e para isso, precisam aprender a dizer “não” quando necessário e a ensiná-los a lidar com frustrações. Uma educação altamente permissiva para a manutenção do amor ou da amizade dos filhos é um erro”, acredita o psicólogo Luciano Passinotto.

Para o gerente de projetos, Paulo Figueiredo, 38, a amizade é totalmente possível, mesmo impondo os limites e autoridade de pai. "Eu tenho uma relação de amizade com meus dois filhos, Bruno, 17, e André, 12.  Faço isso para eles receberem a minha orientação, pois sei que vão aprender na rua, então que aprendam da forma que eu acho certo.Não sei como será daqui alguns anos, mas acredito que dá pra continuar sendo amigo e impor a autoridade de pai com os limites que considero ideais para uma boa relação", conta.

Já o publicitário André Montoro, 35, vê na amizade uma maneira de ganhar confiança da filha, Marina, 6. "Sempre tive medo da Marina se afastar de mim quando crescesse, afinal, é menina e tem outros gostos. Então, desde pequena, comecei a fazer com que ela gostasse de passar algum tempo comigo, como amiga mesmo. Sento para brincar com ela como ela faz com as amigas. Levo ao salão, colo figurinhas, penteio as bonecas. Ela ainda é pequena para me ver como confidente, por exemplo, mas acho que isso é algo que se cultiva com o tempo e pretendo chegar lá. Quero ser a primeira pessoa com quem ela se abre e pede ajuda", finaliza.