Conheça a realidade da adoção no Brasil e suas dificuldades

Conheça a realidade da adoção no Brasil e suas dificuldades

29 Maio 2019 - 19:22
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Sempre quando se fala em adoção, principalmente no Brasil, é comum que a primeira imagem que venha à cabeça seja de um processo amplamente complexo, rigoroso e difícil. E essa imagem, infelizmente, corresponde à realidade do que é o sistema de adoção no país.

Adoção no Brasil e suas dificuldades

Segundo o cadastro Nacional de Adoção (CNA), existem mais de 5 mil crianças em perfeitas condições de serem adotadas, enquanto o número de famílias que espera pela chance de conseguir adotar é de quase 30 mil.

Mas, afinal de contas, o que faz com que essa conta não feche? Quais são os entraves no sistema de adoção brasileiro que fazem com que o número de crianças em abrigos aumente cada vez mais, enquanto mais famílias esperam para poder adotar? Confira no decorrer desse artigo.

 

Discrepância entre expectativa e realidade

 

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma das maiores dificuldades encontradas atualmente durante o processo de adoção no Brasil é a discrepância entre o perfil que grande parte das crianças possui e o que os pais que estão na fila de adoção desejam. Isso porque o perfil das crianças cadastradas no CNA geralmente foge das especificações pretendidas pelos futuros pais.

 

Questão racial

 

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que uma das maiores dificuldades encontradas durante o processo de adoção no Brasil era a questão racial. Segundo apontam pesquisas desenvolvidas pelo CNA, isso se mostra verdadeiro, pois, ainda que o percentual de pais que dizem aceitar somente crianças brancas seja de 32%, esse valor ainda é alto. Todo o restante se mostra disposto a adotar crianças pardas e negras, sendo indiferente à raça daquele que vier a ser seu futuro filho ou filha.

 

A grande dificuldade: adoção tardia

 

Pode-se afirmar que a adoção tardia é um dos principais problemas encontrados na fila de adoção. Infelizmente, ainda segundo a CNA, apenas 25% dos pais pretendentes estão dispostos a adotar crianças cuja idade é de quatro anos ou mais. Enquanto isso, apenas 4% das crianças cadastradas e que estão à espera da adoção possuem quatro anos ou menos.

Além disso, a porcentagem de futuros pais que demonstram interesse em adotar crianças acima dos 11 anos de idade é de apenas 1%. Ao passo que as crianças que possuem 11 anos ou mais correspondem a mais da metade do total de crianças que estão cadastradas no CNJ.

 

Uma ou mais crianças

 

Por fim, outro fator que também acaba dificultando o processo de adoção no Brasil é a baixa aceitação de mais de uma criança por parte dos futuros pais. Enquanto apenas 18% se mostram receptivos a esse tipo de adoção, cerca de 76% das crianças registradas no CNJ possuem irmãos que também estão à espera de uma família. Como a separação de irmãos é dificilmente aceita pelos juizados de Infância e Adolescência, essas crianças passam a não ser prioridade na hora da adoção.

Essas são apenas algumas das dificuldades enfrentadas no processo de adoção no Brasil. Mas adotar uma criança além de um ato de paciência é, principalmente, um ato de amor.

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